O baralho tem 52 cartas. Uma por semana dá um ano inteiro sem repetir uma única noite, e é literalmente por isso que ele tem esse número.
1. Uma carta por semana, não uma por noite. A carta é a novidade da semana, não uma tarefa diária. Se acontecer mais de uma vez, ótimo, mas a carta é uma.
2. Se a carta não couber, tira outra. Semana apertada, filho doente, briga na terça. Tira outra e ninguém está sendo avaliado.
3. Escolham o nível juntos. Dá pra mudar de nível quando quiser, e dá pra voltar.
Os três níveis não são degraus obrigatórios. São temperaturas, e todas as três são sobre a intimidade de vocês:
Este guia é o baralho por escrito. Serve pra ler antes, escolher com calma, e não depender de bateria de celular.
Algumas cartas do nível Sem Freio pedem uma palavra de parada. Antes de abrir aquele nível, essa página precisa estar resolvida.
Vocês escolhem juntos uma palavra qualquer, que não tenha nada a ver com o momento. Abacaxi. Guarda-chuva. Qualquer coisa que ninguém diria sem querer.
Dita por qualquer um dos dois, ela encerra na hora. Sem pergunta, sem negociação, sem "mas por quê". Encerra.
Por que não serve dizer "para": porque "para" às vezes faz parte do jogo, e na hora ninguém sabe distinguir. A palavra combinada não tem essa ambiguidade.
Sem essa palavra combinada, não faz as cartas que pedem ela. Não é excesso de cuidado: é ela que deixa vocês irem longe com segurança.
E quem usa a palavra não estragou nada. Usou uma ferramenta que existe pra isso.
Vale para os dois lados, sempre. Se ele disser, você para. Se você disser, ele para. Não tem quem manda mais nessa regra.
Dor não é frescura e não é falta de vontade. Dor é informação, e informação a gente escuta.
"Espera, tá doendo. Deixa eu mudar de posição."
E se mudar de posição não resolver: "hoje não dá, vem cá." E fica o abraço, que também é intimidade.
Duas coisas resolvem a maioria dos casos na hora: mais tempo antes e lubrificante. Nenhuma das duas é sinal de que tem algo errado com você.
Dor que repete, dor que aparece sempre no mesmo ponto, sangramento, ou ardência que não passa: isso é consulta, não é técnica.
Ginecologista, e se ela não resolver, fisioterapeuta pélvica. Existe especialidade pra isso e a maioria das mulheres não sabe.
Nenhuma carta deste baralho substitui aquela consulta.
E se em algum momento a intimidade envolver medo, pressão ou machucar de propósito, isso saiu do assunto deste material e entrou em outro. Procure ajuda, e não técnica.
Você não precisa deste capítulo pra usar as cartas. Mas ele explica por que várias delas funcionam, e depois de entender isso você começa a inventar as suas.
Quase tudo o que muda a sensação de um toque está em três variáveis, e nenhuma delas é "com mais força":
Muita mulher espera a vontade chegar antes pra então começar, e ela nunca chega. Porque no seu corpo a vontade costuma aparecer depois que o corpo começa, não antes.
Isso não é defeito e não é falta de amor. É como funciona na maioria das mulheres, e é por isso que as cartas de antecipação e de espera são tão eficientes: elas dão tempo ao corpo.
Mãos, boca e pele. Nenhuma destas exige coragem: exigem tempo.
Aqui entra técnica com nome e endereço. Posição, ritmo, e o que dizer em voz alta.
O nível mais direto. As que pedem palavra de parada estão marcadas na própria carta.
Nem sempre dá pra tirar no sorteio. Quando a semana já chegou com um problema definido, procura aqui.
Uma página. Se você só ler esta, já dá conta.
Que os dois queiram. Todo o resto deste baralho é escolha, e nada aqui é obrigação disfarçada de novidade.